Quando acordei no meu cárcere, imaginei que tudo aquilo fosse o meu fim.
Um lugar que, antes de qualquer forma, cheiro ou cor, carecia de sentido.
Cada passo era afundar em mim mesmo; cada sombra, um fantasma antigo; cada som, uma voz que nunca me deixou em paz.
À medida que compreendia onde estava e, sobretudo, por que me encontrava naquele lugar de dor e melancolia, descobri um caminho possível para sair.
Mas isso exigia mais que tempo, mais que força... exigia coragem. Afinal, estar preso dentro da própria cabeça, atormentado pelo canto insistente das cigarras, talvez não seja o lugar mais seguro para se estar.