Existe algo incômodo no que sabemos que existe, porém não podemos classificar, qualificar, entender ou compreender. Existe algo incômodo quando vemos nossa própria vida impotente.
Sabemos disso quando testemunhamos as mais terríveis tragédias, as mais únicas injustiças.
O incômodo no olhar do assassino que mata para sobreviver, assim como no assassino que racionaliza sua sobrevivência na morte. Está presente nos cantos mais escuros, na sensação de se perder em uma floresta, quando perdemos a chance de se acertar com uma pessoa amada ou quando percebemos que o mundo inteiro conspira contra nós. Está presente no momento exato em que conhecemos Deus e o Diabo.
Essa inquietude não é passageira, mas atemporal, única e, no entanto, comum a todos.
É possível que algo seja universalmente presente, mas que ainda assim, não deva ter nome?